Mercado imobiliário

Aluguel sobe mais que o dobro da inflacao. O que isso significa para quem mora em Goiânia?

Apesar da queda do IGP-M, conhecido como a “inflação do aluguel”, os preços para alugar imóveis em Goiânia continuam subindo. Entenda os fatores por trás dessa alta, como a grande procura e a valorização de mercado, e o que isso significa para inquilinos e proprietários na capital goiana.

Therry Santos3 minPublicado em 21 de setembro de 2026Atualizado em 22 de setembro de 2026
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Se você mora de aluguel em Goiânia ou acompanha o mercado imobiliário da cidade, pode ter notado uma aparente contradição: enquanto o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), frequentemente usado para reajustar contratos, registrou queda, os valores dos aluguéis continuaram a subir. Em 2025, por exemplo, o índice acumulou uma baixa de 1,05%, mas essa tendência não se refletiu no bolso de muitos inquilinos.

Essa situação gera dúvidas tanto para quem busca um novo imóvel quanto para quem já tem um contrato em vigor. Afinal, por que os aluguéis não acompanharam a queda do índice de referência? A resposta está na combinação de diversos fatores que aquecem o mercado local.

Oferta e procura: a principal razão da alta

O principal motor por trás do aumento dos aluguéis em Goiânia é a alta demanda por imóveis. A cidade vive um momento de mercado aquecido, com mais pessoas procurando um lugar para morar do que unidades disponíveis para locação. Esse cenário é intensificado pelas altas taxas de juros, como a Selic, que encarecem o financiamento imobiliário e levam mais famílias a optar pelo aluguel como alternativa à compra da casa própria.

Com mais gente competindo pelos mesmos imóveis, os preços naturalmente sobem, seguindo a lei da oferta e da procura.

Reajuste de contrato x novos aluguéis: qual a diferença?

É fundamental entender a diferença entre o reajuste de um contrato vigente e o valor definido para um novo aluguel. Especialistas do mercado apontam que são duas situações distintas:

  • Reajuste anual: Aplica-se a contratos que já estão em andamento. Geralmente, utiliza um índice como o IGP-M. Mesmo quando esse índice é negativo, a prática comum no mercado tem sido a negociação para manter o valor do aluguel, e não necessariamente reduzi-lo.
  • Novos contratos e renovações: O valor é definido pelo preço de mercado atual do imóvel. Com a valorização de bairros e a alta procura, o valor de mercado para novas locações tem subido, independentemente do desempenho do IGP-M. É por isso que quem busca um novo imóvel pode encontrar preços mais altos do que os praticados há um ano.

Valorização atinge diferentes bairros de Goiânia

A alta nos preços não se limita às áreas mais nobres da capital. Segundo levantamentos de mercado, bairros de diferentes perfis registraram aumentos expressivos entre o final de 2025 e abril de 2026. O Setor Sul, por exemplo, viu os valores subirem 49,1%, enquanto o Parque Oeste Industrial teve um aumento de 29,8% e o Serrinha, de 22,7%. Por outro lado, bairros como Setor Bela Vista e Pedro Ludovico apresentaram quedas no mesmo período, mostrando que o comportamento dos preços varia bastante dentro da cidade.

A troca de índice nos contratos

Outro fator relevante é a mudança do índice de reajuste em muitos contratos. Proprietários e imobiliárias têm substituído o IGP-M, que pode ser volátil, pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O IPCA mede a inflação oficial do país e, ao contrário do IGP-M, tem se mantido em trajetória de alta, o que também contribui para a elevação dos valores de reajuste anual.

O que esperar do cenário de aluguéis em Goiânia?

O cenário para quem busca alugar um imóvel em Goiânia continua desafiador. A combinação de juros altos, que desestimulam a compra, e a forte demanda por locação deve manter os preços pressionados. Para inquilinos, a negociação no momento da renovação do contrato é fundamental. Para proprietários, o momento é favorável para a rentabilização do imóvel, desde que o valor pedido esteja alinhado à realidade do mercado para garantir a liquidez.

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